sexta-feira, 11 de setembro de 2026

11 de setembro de 2026, pelas lentes do The Guardian

Se o que estamos vivendo não é uma guerra, eu não sei o que é isso. Hoje, dia 11 de setembro de 2026, o jornal The Guardian tem em sua manchete uma foto em que um jovem oficial militar estadunidense repousa a mão em solidariedade no ombro de um homem mais velho que usa um boné escrito em letras garrafais: SOBREVIVENTE 11 DE SETEMBRO, 2011. Ainda no boné, tem um pequeno broche das torres gêmeas. Ambos de cabeças baixa prestam suas homenagens aos heróis e vítimas mortos ou vivos do ataque. O título da manchete é: PRESIDENTE TRUMP UTILIZA O DISCURSO EM MEMORIA AO 11/09 PARA DEFENDER A GURRA NO IRÃ ENQUANTO FAMÍLIAS COMEMORAM AS VITIMAS DO ATAQUE. 



Quando entramos nessa notícia, um dos updates do link traz uma citação de Trump: “E nós saludamos os membros do serviço [militar] que estão trabalhando, neste momento, para garantir que o patrocinador do terrorismo, número um do mundo, a República Islâmica do Irã, nunca terá arma nuclear”.

Em um outro update, o parente de uma vítima pede para Donald Trump revelar os arquivos que comprovam o envolvimento da Arabia Saudita – parceira comercial dos EUA – no financiamento dos ataques de 11 de setembro.

Mais abaixo, com um pouco menos de destaque, o jornal mostra a foto de uma fila de soldados Houthis marchando em uma campanha para recrutar mais voluntários em sua luta contra a influência política da Arabia Saudita no Yemen.

E, em paralelo a essa notícia, logo ao lado, vemos um posto de gasolina destruido por uma bomba, que segiundo o jornal, pela primeira vez alcançou o seu alvo montada em um drone a jato.

Baixando mais a tela, outro grande destaque: JV Vance, autorizando-se como herdeiro do trono de Trump. E, como não podia deixar de ser, para uma revelação dessas, ele aparece na foto usando um terno azul marinho com camisa branca e gravata vermelha. Transparecendo seu conservadorismo e falta de criatividade até na moda.

As próximas notícias, diagramadas em um quadrado dividido em 4, temos “A vitória do UdF na Alemanha”, “A perda do direito a morte assistida, na Inglaterra e em Gales”, “Um monge que embolsou $2.8 milhões sendo preso” e, por último, mas não menos interessante, “A pegada gigante de um tiranossauro Rex, encontrada nos EUA”.

Dali por diante, os assuntos sérios perdem cada vez mais a importância. Como em nossas mentes, os problemas se diluem entre um show que marca o retorno da Celine Dion e um passeio no Parque Nacional do Kenya.

Continuo descendo o browser infinito e chego em uma matéria que precisei parar para ler inteira: “Brazil: Competitive food tour is rewritting the story of Rio’s favela”. Penso como esses caras gostam de romantizar o Brasil!! OMG!! É claro que a mobilização e organização dos moradores das favelas para um evento culinário é maravilhoso. Mas dizer que isso irá reescrever a história das favelas cariocas... É já é um passo “narniano”.

Leia uma passagem da matéria: 

“Não fossem os becos ao redor — tão estreitos que, às vezes, só uma pessoa consegue passar de cada vez —, a teia emaranhada de fios elétricos que lotam os postes e, ocasionalmente, um jovem passando de moto armado com um fuzil, o restaurante de Sales poderia estar em qualquer outro lugar da cidade: uma hamburgueria climatizada e voltada para famílias. A decoração com tema de super-heróis foi um pedido dos filhos de Sales e inclui um Homem-Aranha em tamanho real.”

É isso... Bom fim de semana!